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terça-feira, 7 de abril de 2020

Siderurgia

Usinas emplacam aumentos de preços (Valor Econômico, B7) 
As três siderúrgicas de aços planos do País - Usiminas, CSN e ArcelorMittal - conseguiram emplacar aumentos de preços dos seus produtos entre 3,5% e 8% neste mês, segundo informações de distribuidores. As empresas informaram que não comentam a política comercial com seus clientes, relata reportagem editada com relativo destaque no Valor, assinada por Ivo Ribeiro, editor de Indústria e Infraestrutura. A ArcelorMittal Tubarão foi a primeira, conforme a reportagem. Seus reajustes entraram em vigor dia 15 e variaram de 4%, para chapas finas a frio e zincadas, a 8%, para laminados a quente. O aumento da CSN foi aplicado dia 18, com 3,5% de alta para bobinas laminadas a frio e chapas zincadas, e de 7,2% para material laminado a quente. Na Usiminas, o reajuste teve início dia 22, de 5% para apenas dois produtos: chapas grossas e bobina laminada a quente. A avaliação de fontes do setor é de que havia espaço para esses aumentos de preços, pois há dificuldade na importação. Atualmente, informam, não há prêmio cobrado pelo produto nacional em relação ao importado e foram eliminados os incentivos estaduais, de até 9%, com o fim da guerra dos portos. Além disso, desde o quarto trimestre de 2012, passou a vigorar o aumento da alíquota de importação para o laminado a quente, de 12% para 25%. 


Análise Coin Valores
A siderurgia passou por maus momentos em 2010, contrastando com o ritmo da atividade econômica interna, principalmente quando analisamos a oferta mundial de aço e os custos para a produção do insumo. Como se não bastasse, a mudança no sistema de reajuste do minério de ferro (principal matéria prima na fabricação do aço) que deixou de ser anual e passou a ser trimestral, também pressionaram os custos de produção. Com isso, o cenário para siderurgia mundial caracterizou-se por uma sobreoferta ao longo de 2010. Segundo a World Steel Association, a produção mundial de aço cresceu 5,1% em novembro de 2010, comparando-se com o mesmo período do ano anterior. Assim, a oferta global de aço se recuperou para níveis anteriores a crise, fato que, combinado com a demanda no mercado desenvolvido ainda abaixo dos níveis pré-crise, estabeleceu uma limitação aos preços. Além da expansão da oferta mundial de aço, destacamos uma combinação de fatores nada interessante para o setor em 2010, caracterizada por um câmbio apreciado (desvalorização do dólar em relação a uma cesta de moedas), incentivos tributários à importação concedidos por 13 estados e especulação com os preços dos produtos siderúrgicos. A forte demanda interna e o aumento de competitividade do produto internacional (impulsionada pelos fatores anteriormente comentados) exerceram forte impacto sobre o aumento das importações. A parcela dos importados no consumo interno, que, de 2001 a 2009 foi em média, de 7%, atingiu 27% no acumulado do ano até outubro, em 2010. Quando falamos em aumento da presença de produtos siderúrgicos importados em território nacional e manutenção dos níveis de produção interna, invariavelmente nos referimos a aumento dos estoques de aço, e redução dos preços (descontos) dos produtos. Segundo dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), os estoques de aço atingiram nível próximo a quatro meses de venda em 2010 (sendo que o nível considerado normal é de 2,5 meses). Contudo, no médio/longo prazo acreditamos que se configurarão melhores condições para o desenvolvimento do setor siderúrgico no mercado doméstico, a começar pela perspectiva de que o processo de adequação dos estoques, ocorra a partir do primeiro trimestre de 2011, desencadeado pelo declínio das importações de aço. Segundo o Instituto Aço Brasil (IABr) as importações de produtos siderúrgicos devem cair em 2011. Tal queda deverá amparar-se majoritariamente em medidas de contenção das compras externas, tal como à recente medida governamental que arbitra um preço de referência para as mercadorias, com base no preço dos produtos de fabricação nacional que são exportados e o preço dos mesmos no mercado internacional. Trabalhamos com a perspectiva de aumento da produção mundial, para 2011 não havendo mudança do atual cenário de sobreoferta de aço. Desta forma não esperamos aumentos significativos no preço dos produtos siderúrgicos. Segundo previsões da Associação Mundial do Aço, a demanda mundial pela liga metálica deve atingir 1,34 bilhão de toneladas em 2011, representando alta de 5,3% em comparação com 2010. E adivinhe qual será o maior demandante?...China! A demanda por aço do país asiático deve crescer 3,5% A/A sendo responsável por 45% da demanda mundial. No mesmo sentido de crescimento, o consumo aparente nas Américas do Sul e Central deve subir 9,1% em 2011. Por outro lado, a demanda no mundo desenvolvido em 2011 é prevista como sendo 25% menor do que a verificada em 2007, em virtude das incertezas relacionadas ao aumento dos gastos do consumidor e empresas, bem como a continuidade do cenário de recuperação.

22475 - floripasempre - 27/Nov/2009 10:35
08:56 CRISE PROVOCA EXCESSO DE AÇO NA CHINA
Pequim, 27 - A indústria siderúrgica da China opera atualmente com capacidade ociosa de 150 milhões a 200 milhões de toneladas, o equivalente a seis vezes a produção total do Brasil. O colapso da demanda internacional e o aumento dos investimentos no país agravaram ainda mais o problema, que também afeta os setores de alumínio, cimento, químicos, refino e energia eólica, revela estudo divulgado ontem pela Câmara de Comércio da União Europeia na China, realizado em parceria com a consultoria Roland Berger.
O excesso de capacidade provocou a redução das margens de lucros das empresas, o encolhimento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a maior dificuldade para pagar empréstimos bancários, disse o presidente da Câmara, Joerg Wuttke. Fora das fronteiras do país, o desequilíbrio alimenta os conflitos com parceiros comerciais e deverá ampliar as medidas antidumping contra a
China em 2010, ressaltou.
A situação se agravou com o pacote de estímulo de US$ 585 bilhões anunciado pelo governo em novembro de 2008. No ano passado, a China tinha capacidade para fabricar 660 milhões de toneladas de aço, mas produziu 500 milhões, das quais consumiu 470 milhões.
O setor siderúrgico continuará a crescer em 2009, apesar da previsão de que a demanda global pelo produto cairá cerca de 15%. Só na primeira metade do ano, US$ 20,6 bilhões foram investidos na produção de aço. As autoridades de Pequim estimam que os projetos em andamento acrescentarão mais 58 milhões de toneladas de capacidade nas siderúrgicas.
A China é a maior fabricante de aço do mundo, com cerca de metade da produção. Também é líder na produção de alumínio, setor que deve fechar o ano com ociosidade de 33%, e cimento, onde a ocupação é de 78%. Como na siderurgia, as empresas desses segmentos também enfrentam encolhimento nas margens de lucro.
Ontem o governo chinês anunciou a suspensão de todos os projetos de novas unidades de cimento que estavam em construção ou seriam iniciadas até 30 de setembro. No ano passado, o país tinha capacidade para produzir 1,64 bilhão de toneladas de cimento, mas fabricou 1,38 bilhão. Ainda assim, os investimentos no setor aumentaram 66% de janeiro a julho, para US$ 13 bilhões, que se traduziram em 210 milhões de toneladas adicionais.
A União Europeia vai analisar a situação de seis setores que são alvo de medidas anunciadas pelo Conselho de Estado da China em outubro, para enfrentar o excesso de capacidade. Mas a entidade ressalta que o problema existe em outras áreas. A indústria de esmagamento de soja, por exemplo, opera com ociosidade de 52%.
Segundo Wuttke, o problema não é novo, mas era amenizado pela exportação do que não era absorvido internamente. O estudo indica que existem estímulos poderosos para a ampliação do parque produtivo do país, como grande liquidez, alto nível de poupança e baixas taxas de juros. Além disso, há distorções que impedem a ação das forças de mercado quando há queda da demanda. A mais evidente é a ausência de falências das empresas estatais.
A poupança chinesa atingiu em 2009 o recorde de 53,2% do Produto Interno Bruto (PIB), um dos mais altos índices do mundo. A maior parte desses recursos se transforma em investimentos. Desde o início desta década, o principal fator que alimentou a poupança chinesa não foi a economia das famílias, mas a sobra de caixa das estatais, que não pagavam dividendos. A partir do ano passado elas passaram a ser obrigadas a dar dividendos a seu principal acionista (o Estado), mas os valores ainda são muito baixos.
Em 2002, as corporações respondiam por 12,5 pontos porcentuais da poupança, que estava em 35,1% do PIB, enquanto as famílias garantiam 16,3 pontos porcentuais e o governo, 6,3. Em 2006, a poupança foi de 50,7% do PIB, dos quais 28,3 pontos - mais da metade - vieram das corporações. As famílias forneceram 15,4 pontos porcentuais e o governo, 7. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


(Cláudia Trevisan)

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